Seul Alone

Monday, 23 June 2014

Viés sócio-cultural, socio-economico, socio-político, socio-religioso

     O que vem a mente ao pensar em "casa"? Moradia, residência, ninho, intimidade, privacidade, patrimônio entre tantas outras possibilidades. Muito além, e não menos apropriado: Universo, planeta, continente, país, cidade, endereço, corpo. Mas se o corpo é nossa casa também, o que seriamos nós? Do ponto de vista atomístico, o todo se resume em prótons e neutros. Um complexo organismo que se estende da nossa mente ao infinito astronômico, do micro ao macrocosmo. Poderíamos nos ver como energia ou energias. Do ponto de vista religioso, não faltaria interpretações sobre o fluir desta energia, explorada da metafísica. Assim poderíamos aceitar a ideia de uma entidade divina Total da Natureza. Dentre essa totalidade está nosso corpo onde reside nosso ser. Consciente ou inconsciente, é constante essa interação entre os seres, explorados e desvendados pelo conhecimento. Através de imaginação, se manifesta em nós o instinto: Desenho. Intrínseco a este, a comunicação. Por motivação metafísica ou física, o registro do pensamento se manifesta por infinitas formas com intenções e interesses infinitos. Com o Desenho se demonstra ou descreve o "mundo" onde residem os seres. Para tanto, os métodos se desenvolvem no proposito de despertar nos seres o senso artístico. Brevemente acredito deixar claro nasce naturalmente no ser humano. O Desenho está na Natureza humana, logo com seu instrumental, o invento: Arte.
     Apreendemos através de nossos sentidos a experiência da vida, e consequentemente modos e formas de viver, segundo necessidades e escolhas individuais ou coletivas. Decidi assim apresentar minha experiência nas ruas da cidade de São Paulo. O que num primeiro momento foi uma ação ficcional, se tornou real e por fim, o real e o irreal se fundiram. Fusão entre o sensível e o lúdico. A Natureza (a totalidade, o tempo, o espaço, o clima, os seres, ou seja, o Sagrado, o Divino), e a Cultura (a produção humana, a ciência, a filosofia, as Artes. Neste caso, as Artes Plásticas e Visuais.
     Para um indivíduo sem recursos financeiros o maior desafio é adquirir uma moradia onde possa ter garantido, estrutura para suas necessidades pessoais. Descanso, higiene pessoal, segurança e saúde. Desafio maior se encontra na esfera social. Lazer, limpeza pública, segurança pública, saúde publica. Numa cidade de senso comum quanto aos seus princípios capitalistas, o dinheiro é fonte essencial, fonte vital para suprir toda necessidade de um individuo na convivência social. Da gestação ao túmulo, a vida gera custos e para estes custos é vital o dinheiro. Um individuo com essas necessidades supridas está em condições de conduzir sua vida em graus de liberdade mais elevados, pois está mais enérgico, com destaque para escolhas feitas por este individuo. O fato é que essas necessidades não são acessíveis a todos indivíduos, ou não são completas em cada uma. A combinação desta estrutura é o número de indivíduos que compõe esse organismo mutante. Simbiótico.  Dialético. Semiótico. Constante transformação.
     A um indivíduo sem recursos financeiros, a moradia está nas ruas. Por questões de lógica, no capitalismo assim se configura. A rua como espaço público supões propriedade de todos, e se é de todos, cada individuo usa como melhor o satisfaz. Consideraremos assim, rua, os espaços públicos como praças, locais de lazer e recreação para convivências harmoniosas e conflitantes.
     A vida nas ruas a priori tem caráter de condenação por algum motivo sem a necessidade de se conferir causas. É compreensível a desconfiança devido ao fato de ex-detentos sem relações familiares ou de amizade ficarem perambulando por ruas em busca de soluções para suas necessidades. Outros motivos comuns são os despejos de indivíduos e familiares dentre estes, homens, mulheres e crianças. Talvez seja este o crime maior, pois a impossibilidade financeira exerce forças sobre essas pessoas para se entregarem ao crime organizado e por fim, acabarem produzindo antecedentes criminais, o que gera boatos e consequentemente, calúnias, perjúrios e difamações. Dessa maneira os direitos civis do indivíduo se torna vulnerável ao perder a legitimidades de seus direitos. A veracidade dos fatos se torna dispensável. Se destaca assim, a segurança pública no controle do instinto predador do ser humano que se vale de seu poder aquisitivo como medida da moral e da ética. Cito pseudo formadores de opinião com representações politicas conservadoras e retrograda. Pseudo intelectuais sem nenhum conhecimento literário e acadêmico que se auto intitulam lideres de bairros, comunidades, etc. Devido ao fato de terem acesso a rede da Internet com a pretensão de se projetarem como candidatos políticos ou mesmo para usufruírem de influencias politicas. Diante essa mentalidade atrofiada estão os Artistas compromissados com a importância do desenvolvimento ontológico humano através da Arte.
     Nas ruas convivem pessoas sem endereço de índoles completamente distintas. Respeitáveis e duvidosas. ladrões. assassinos, brigões, viciados, doentes mentais, desempregados, empresários falidos, estudantes e aventureiros. Pessoas honestas e desonestas. Na organização formal da sociedade civil, estes adjetivos imperam também, porém são camuflados pelo poder aquisitivo, patrimonial e político. No entanto nas ruas é explicito no comportamento do individuo a sua índole. A falta de endereço é um complicador na garantia de direitos civis. São praticamente desconsiderados. A falta de instrução educacional agrava ainda mais essa questão, pois pessoas dependem de outras pessoas para reivindicar direitos, abrindo caminhos para atitudes de má fé. neste cenário conflitante a criminalidade acaba se impondo, hora como sobrevivência, hora como oportunismo, o que demonstra duvidas quanto a avaliação justa de ocorrências, desinteligências, violências, preconceitos, rixas, vinganças. Portanto é de pouco caso as considerações sobre este ambiente onde leis, moral e ética se diluem diante os estados de sofrimento em cada individuo. Em meio a este ambiente, toda forma de conhecimento são ferramentas para solução, adaptação ou improviso diante a escassez de tudo que uma pessoa precisa. Segue assim as questões de higiene pessoal, limpeza urbana, saúde e saúde pública. Na busca de soluções nas ruas, é comum observar pessoas que vivem do que é descartado nos lixos. materiais orgânicos, metais, plásticos e papeis geram fontes de renda. Quanto aos materiais orgânicos, algumas pessoas fazem de alimentação com riscos de ingerirem produtos vencidos ou estragados, o que produz doenças devido ao contato com bactérias e fungos prejudiciais a saúde humana. Porém as doenças da mente impossibilitam o discernimento diante esses perigos. Essa pratica de vasculhar lixos se acompanha do mau hábito de espalhar o que não se aproveita nas calçadas e ruas dificultando um limpeza urbana de qualidade. Consequentemente, a higiene pessoal também se prejudica. mais complexo é o uso de banheiros. O comercio disponibiliza para cliente, e os banheiros públicos não comportam o excesso de pessoas. Com isso, os espaços públicos como praças são utilizados como banheiros produzindo mau cheiro, fungos e bactérias, tornando impossível atividades de lazer e descanso. A solução para essas dificuldades existem desde a esfera individual até a esfera pública, porém a degradação do ser humano faz ainda mais complexa a questão do individuo que vive nas ruas. O Estado oferece algumas soluções, se não são excelentes suprem a necessidade de muitos, por exemplo: Restaurantes Populares; Albergues; e Centros de Saúde Pública a disposição em todos Bairros da Cidade de São Paulo, porém não suprem por completo, além do mais, promovem convivências. Convivências entre pessoas de índoles antagônicas, ou seja, pessoas com históricos de vida distintos o que gera conflitos, e convivências harmoniosas. Outra solução para essa condição é o Trabalho, neste caso a exploração e escravidão de pessoas que vivem nas ruas se justifica devido ao fato de não terem seus direitos civis garantidos. Assim, a exploração do ser humano ocorre sem culpa ou sentimentos de solidariedade. Mutante como é o ser humano, acaba por sobreviver a essas adversidades, porém a Natureza pode fazer esse sobrevivência ainda mais complicada devido ao clima do momento, porém, as campanhas de agasalho é outra solução para esse detalhe.
     Com os ambientes públicos higienizados, é possível se utilizar destes espaços como mais uma solução provisória diante a escassez estrema de dinheiro, ao favorecer a saúde do individuo. Somado a segurança pública para zelar qualquer forma  sabotagem, um individuo sobrevive dentro de limites mas sobrevive e tem condições de executar seus projetos de vida.

     Neste cenário, ambiente, contexto não há dúvidas de que a solução advém do Trabalho que deveria ser direito de todos, porém os mercados de trabalho são regulados por seres humanos predadores, invejosos, controladores incapazes com sentimentos escravocratas, daí tudo se torna exageradamente complicado, quando não impossível aliado a partidos políticos sem escrúpulos como o caso da Politica atual no Brasil que se vale da perpetuação deste problema com finalidade demagógica e eleitoreira.
_________________________________________________________________

 


Creative Commons License
This work is licensed under a Creative Commons Attribution 3.0 Unported License.