Seul Alone

Friday, 3 December 2010

PROCESSOS CRIATIVOS EM ARTES E MÍDIAS

PROCESSOS CRIATIVOS EM ARTES E MÍDIAS

"O importante é criar. Nada mais importa; a criação é tudo. Você já viu um quadro terminado? (...) Terminar uma obra? Terminar um quadro? Que absurdo! Terminá-lo significa acabar com ele, matá-lo, livrar-se de sua alma, dar-lhe o seu golpe final...”PABLO PICASSO
INTRODUÇÃO: UM DEPOIMENTO SOBRE MINHA OBRA
A Arte, desde minha infância foi e é, a atividade que eleva meu espírito e proporciona-me felicidade. A cada Obra, a satisfação da realização. Cada Obra, uma surpresa boa para mim mesmo, uma motivação a mais, um sentido a mais em minha vida. Isso, despertou-me para infinitas buscas por conhecimento técnico e teórico sobre o sentido da Arte e o porque de sua existência nas mais diversas formas de expressão, nas distintas sociedades e culturas, para enfim, compreender a minha própria produção artística. Isso, levou-me a compreender as Artes, como um processo contínuo, por caminhos surpreendentes, encantados, fantásticos. Levando-me até o presente, com esse relato que denomino: Devaneios: Completamente Inacabado. Relato de minha experiência Artística, desde a compreensão do nosso território estelar ao contexto social, de minha essência individual à minha produção artística em si, e por fim, na projeção destas Obras na Internet.
Campinas, 31 de Outubro de 2007

Revendo minhas obras, desenhos, gravuras, pinturas e fotos de minhas obras, escolhi algumas que representariam meu temperamento e meu estado de espírito no momento em que trabalhei em cada uma delas. Momentos que coincidem apesar dos diferentes contextos, nos quais estive, e estou atualmente. Guardo comigo, sempre, um exemplar de cada sequência de obras que realizo, como uma boa lembrança de cada um destes momentos e remonte de uma possível forma de pensar, ou seja, de uma maneira de me entregar ao trabalho de construir uma obra através de diferentes técnicas e motivações dialogando comigo mesmo. Essa maneira de pensar, mantenho desde o momento que passei a reconhecer a importância do processo criativo do Artista, portanto, meus estudos teriam também importância na "leitura", que porventura, seria feito sobre o conjunto de minhas Obras. Esse temperamento, me acompanha na utilização da Internet, ao configurar os blogs, publicar meus posts, na publicação das imagens de algumas de minhas obras, ao ver a materialidade do papel, da tinta, transformada em imagem, com materialidade distinta, através do scanner, e a publicação em si, ou seja o instante da publicação registrada no instante marcado no relógio. A hora exata da publicação, ou seja, o ponto no tempo. A analogia entre o instante da publicação de imagens e textos na Internet, e o instante da impressão na Gravura, me proporcionaram sentidos na relação entre Internet e a Obra de Arte em si no instante da publicação. Dentre as formas, técnicas e linguagens artísticas, a Gravura - xilogravura, gravura em metal e litografia - me ofereceu uma representação deste instante na Publicação na Internet, e a Internet, por sua vez, através de suas publicações me ofereceu uma representação do instante da impressão, que se torna publicação através da sequência de impressões numeradas, reproduzidas através uma matriz de madeira, metal ou pedra. Diante essas analogias, a Internet é desdobramento da Imprensa.Essa coincidência do mesmo temperamento em vários momentos e instantes mais essa analogia entre a Gravura e a Internet, me levou a definir uma sequência de Obras que que iniciaram no mesmo período em que minha filha estava por nascer. O contexto no qual eu estava inserido, mais o meu desejo de fazer Arte coincidiram, dai a minha primeira Gravura se deu através da Xilogravura como experimento. O contexto me definiu o tema e motivou a minha vontade de expressar o sentimento que eu vinha criando em mim em relação a filha que eu teria, ao mesmo tempo que eu devaneava sobre a maneira de entalhar a matriz de madeira, a qual eu viria a trabalhar seu retrato. Me fascinou a Ideia da Linguagem da Xilogravura como Retrato, a xilogravura era uma técnica utilizada pelos Expressionistas como uma linguagem que transmitia por si só um alto grau de intensidade expressiva através de sua linguagem técnica, além disso, a Xilogravura é uma técnica de impressão milenar, que viria a dar origem ao que conhecemos atualmente como Imprensa. Isso me fascinou. A Xilogravura como uma prática milenar me cativou, e a vontade de retratar minha filha enquanto bebê, um momento da vida dela registrado em xilogravura me fez realizar minhas primeiras tentativas técnicas, me fazendo buscar mais conhecimento sobre as Tecnicas de Gravura. Me surgiu a Gravura em Metal, como uma maneira de se imprimir tons de cinzas, o que não era possível através da Xilogravura, mesmo no desenvolvimento da Gravura de Topo. Os tons de cinzas eram limitados, dai a Gravura em metal chamou minha atenção. O trabalho em Xilogravuras representando o Nú feminino, a Natureza através de representações de árvores, objetos e cenas do cotidiano e paisagem, me proporcionou a idéia do Branco do papel como luz, e o Preto da Impressão como sombra. Isso definiu a construção de uma forma a partir da Luz e da Sombra. De tempos em tempos, novidades surgiam em torno da xilogravura, como a sua utilização na Literatura de Cordel, que me motivou a fazer um Cartaz de uma Feira Cultural. A importância do Papel, me conduziu às suas origens. Essas informações fundamentaram meu encanto pela Gravura. Daí, a gravura em metal, foi outro passo para o conhecimento do desenvolvimento dos processos gráficos, que seguem com a Litografia, a Serigrafia, até a atualidade. Neste caminho, me propus a seguir até a Litografia, como técnicas para representarem a minha criação artística. Adquiri uma chapa de cobre, que dividi em duas partes. A representação de uma árvore em uma praça de Poços de Caldas, e uma parte de uma praça em São João da Boa Vista. Por não ter uma prensa disponível, guardei essas matrizes de cobre, a espera de um dia poder imprimir o desenho que havia feito em ponta seca. Consegui uma impressão improvisada, de modo a satisfazer a ansiedade em ver meu desenho impresso. Daí, durante anos essas duas matrizes de cobre eu guardei comigo. Me dediquei ao desenho e a Pintura, sem perder de vista a Gravura, trabalhando em algumas matrizes de madeira com alguns temas que me surgiam.Enquanto trabalhada nos desenhos e pinturas, imaginava a produção de uma serie de Xilogravuras, que retomei fazendo o Cartaz e alguns convites para minha exposição, "Entre o Olhar e a Imaginação". na qual a composição de cores foi o meu foco em meios aos diversos sentidos que vinha dando a cada obra. A base desta exposição foi a obra de arte a partir da observação da realidade, mais a releitura da obra de Debret. A importância de Debret na História da Arte no Brasil, me chamou a atenção, dai eu me dedicar em fazer algumas releituras de sua obra. A observação da realidade mais a Observação da Obra de um Artista, que não fosse eu próprio, foi um objetivo que propus a mim mesmo. Eu havia visto algumas aquarelas de Debret. O caráter de representação histórica me motivou em fazer releituras de sua obra. Desta maneira, através do desenho e da pintura, eu fazia a fusão entre o Olhar com referencia a representação do que eu observava, e a Imaginação, com referencia a minha interpretação deste Olhar, através de composições de cor. Isso definiu o tema dessa exposição, que também teve a Xilogravura como meio de divulgação. Abrindo caminho para uma sequência de seis obras, em direção a Obra de Arte a partir da Imaginação e não da Observação. Assim, essas seis Gravuras, representavam Paisagens Imaginárias, sem nenhuma relação com a realidade concreta que observava. Assim, compus os entalhes na madeira, construindo uma forma de paisagem através dos cortes na matriz de madeira. A Idéia de Observação não estava mais fazendo parte das obras que vinha produzindo. Passei a pensar sobre o Abstracionismo, o que me levou a trabalhar na exposição "Um Olhar no Infinito". Uma sequência de pequenas pinturas que eram composições de cores e gestuais, sem alusão à realidade concreta. Nesta exposição, o foco foi a Infinidade de possibilidade na composição dos materiais, das cores, e fundamentalmente nas infinitas possibilidades de se interpretar e se criar novos sentidos a uma mesma Obra. Abrindo caminhos para "Devaneios: Completamente Inacabado.O surrealismo me chama a atenção desde o momento que vi as obras de Salvador Dalí em livros escolares. A representação do inconsciente despertava em mim atenção. Diante o sentido que vinha propondo através da pintura, no que me remetia a Imaginação, mais o que eu compreendia como surrealismo, coincidiu com o tema que eu vinha propondo como direção em minha obra. Passei a fazer pequenos desenhos em bico de pena totalmente a partir de composições de linhas que me vinham a mente, sem que nenhuma forma de pensamento sobre a realidade interferisse. Conforme compunha as linhas de maneira solta sem nenhum condicionamento, o acaso me surgiu. Os desenhos surgiam espontaneamente numa sequência de pequenos desenhos em bico de pena. Ao concluir cada uma delas, eu definia os títulos, fazendo alusão à Imaginação. Fiz mais duas pequenas sequências. Passei a direcionar esses trabalhos, de modo a amarrar um pensamento que havia sido originado na Exposição "Entre o Olhar e a Imaginação", que tem sequência com a exposição "Um Olhar no Infinito" e se conclui com esse conjunto de Obras, que virá a ser a exposição "Devaneios: Completamente Inacabado". Conclusão que certamente se desdobrará em outra exposição, e consequentemente em outra, daí o sentido de Devaneios: Completamente Inacabado. O processo criativo que se transforma constantemente conduzido por um pensamento sem condicionamento. Defini esse tema ao chegar em Campinas, onde retomo meus trabalhos em Gravura. Eu tinha duas matrizes de metal para dar continuidade, uma delas, se perdeu de alguma maneira, a outra, pude imprimir adequadamente no Atelier de gravura da Unicamp. Disposto a aprender a técnica de gravação em metal e litogravura, pois estas duas formas de Gravura eu não havia dominado ainda. Eu precisava aprender o processo técnico, para enfim, deixar meu processo criativo fluir. Fiz uma impressão da matriz que havia a representação de uma praça de São João da Boa Vista. Pude ver com clareza o que eu havia trabalhado em ponta seca anos atrás. Preparei uma matriz de madeira, e em seguida passei a trabalhar na matriz de metal. A dividi em três partes e continuei meu trabalho em uma delas. Essa chapa de cobre tinha uma estoria de aproximadamente dez anos. Trazia em si algumas marcas deste tempo. A Internet como painel expositivo das imagens de minhas obras, vem acontecendo e se construindo, com a mesma "entrega" que disponho para com os pincéis, os lápis, as tintas, as matrizes de gravuras.Mantive um "diálogo" com cada trabalho, cada parte, cada impressão, cada desenho, cada cor, cada material, cada detalhe. Esse diálogo é arquétipo de mim mesmo que crio para fazer replica para comigo mesmo, e se desfaz instantaneamente. Uma maneira de questionar a mim mesmo sobre o que estou fazendo, o que estou construindo. Uma maneira de ser exigente no fazer Arte. Um espelho. Reflexos estereotipados de mim mesmo. Na Internet, esses arquétipos mostram-se com sentidos ficcionais. A Internet é ficção construída por quem se conecta a Rede, a manufatura dos materiais, as composições de linhas e cores, as nuances de cor, tento considerar estes arquétipos como ficção. Personifico esses detalhes para conseguir imaginar o som deste diálogo comigo mesmo. No momento que tenho a sensação de estar ouvindo de fato a voz destes detalhes, como se tivessem de fato, voz. A entrega. O mergulho. Um universo construído que se desfaz e retorna como se viesse do nada. Cada Obra um universo. Cada Conjunto de Obras outro universo. Em cada época, um universo diferente fixa-se no Instante da publicação. A analogia entre Internet, Gravura e meu temperamento emocional. Estes uviversos coexistem. Estes universos fundem-se em alguns momentos, ou isolam-se em si, em outros momentos. Isso no plano da imaginação.Com a ponta seca, arranhei profundamente todo o desenho que havia na parte que eu havia escolhido ara dar continuidade nos estudos em gravura em metal. Em meio a inumeras idéias sobre a realidade, inumeros conceitos e definições, prossegui meu trabalho na placa de cobre a partir daqueles arranhados soltos. Passei a compô-los, como uma maneira de me preparar para a utilização dos ácidos. Em que partes daquela placa de cobre eu deixaria corroer mais ou menos em busca de diferentes tons de cinza. A cada mergulho da chapa de cobre no ácido, eu fazia os tons de cinza serem mais escuros, de maneira a estes tons chegarem no preto. O percurso era este na manufatura da matriz de cobre. Sem importar-me com as denominações tecnicas, não queria deixar nenhum modo de conceito, conduzir meu trabalho. Nenhuma idéia pronta, ou estabelecida me motivava, mesmo nos instantes que "faiscavam" minha mente. Talves, uma maneira de por uma redoma em torno da manufatura do material. Essa idéia, me remete ao conceito de meditação, ou seja, silenciar a mente e deixar a intuição conduzir o fazer. No momento que sinto todos os elementos que ali trabalhei estão harmoniosos aos meus olhos, a tenho como acabada. Mas era uma parte da matriz original.Diversos universos coexistem, diversas dimensões, ao ser humano como individuo e como ente social. Esses universos coexistem. O tempo se revela em quarta dimensão. Isso tudo como arquétipos. O passado retrabalhado, na matriz de metal que eu havia partido em tres, que trazia um desenho que fiz a dez anos atras. A gravura tomou a forma de Alquimia. O que siperficialmente era considerado "tranformar chumbo em ouro", passou a significar a busca da "auto transformação". Procurei manter nos limites da redoma, este aspecto mistico que me envolvia, e manter a mente em silêncio, meu principal objetivo. A Litografia acontecia diante meus olhos. Concluída a impressão desta parte da matriz de cobre, depois de assistir encantado cada reprodução impressa, no seu primeiro instante depois do papel separar-se na matriz, o que me lembrava inevitavelmente a publicação na Internet, passei a trabalhar em uma Litografia. Tecnica completamente desconhecida para mim. Eu sabia apenas que a matriz era em pedra calcárea. Nada mais. Nem menos. Trabalhei preparando a pedra, depois, com a ajuda do "mestre artífice em gravura da Unicamp", apliquei o desenho sobre a pedra. Me utilizei de materias que nunca havia tido contato. Em seguida assisti, a Impressão Litografica ser feita. Conclui que a litografia me tomaria tempo e dedicação, voltei atrabalhar nas matrizes de metal. Comecei a trabalhar em outra matriz. Aplique outro desenho sobre o desenho que havia na matriz. passei a fazer com que as formas se hamonizassem, e a observar a impressão das linhas mais sutis. Este trabalho, tomou outra forma, outro universo. Cada impressão era por si só, pronta e acabada, enquanto isso, eu vinha revendo minhas publicações em meus blogs. Essa matriz tomou outra direção, que não é de ser feita uma tiragem numerada, por enquanto, essa matriz deveria ter uma impressão somente de cada momento que trabalhei nela. Imprimi a terceira parte para visualisar o desenho. Prepareu uma matriz de madeira e compus nesta impressão de ponta seca, a impressão da xilogravura. Trabalhei também uma xilogravura e apliquei uma pintura em aquarela para sentir o contraste do preto com o colorido numa mesma obra. Experiencias como esta, eu havia feito entre a Xilogravura e a Escultura. A linguagem da matriz da xilogravura como expressão tridimensional. Enquanto trebalhava com as Gravuras, eu vinha trabalhando na configuração e no layout de meus blogs, com a intenção de manter publicado um, ou alguns exemplares destes momentos em que trabalhei em minhas obras.
Campinas, 02 de Dezembro de 2007.
NATUREZA

Absolutamente um instante do nada. Um silêncio profundo. Instantâneo. Como um relâmpago no céu. Um Instante. Um "teco" de segundo. Uma parte no seu infinito grau de divisão, a infinita parte de suas divisões. Um. Instante. Um instante de nada absoluto. Uma centelha de instante. Uma faísca de tempo. Um detalhe de Natureza das tantas Naturezas.Um instante depois, o vento toca minha pele. O vento fresco e úmido. A cigarra canta alto. Gotas minúsculas de chuva no rosto. A noite chega lenta e sutil. A tarde se vai, coberta pela noite molhada. A música soa bem. O inglês cantado não são palavras cantadas. São sons. Não me importa o significado das palavras, mas a composição de sons, a harmonia. Dos sons, do ambiente. A saudade de momentos bons. Imagens da aplicação de técnicas e utilização de materiais vinham como fleshes. Imagens de desenhos, gravuras. Minha imaginação gera infinitas imagens. Imagens soltas. Infinitos instantes imagéticos. Livres e soltos. A natureza fala comigo desta maneira, através das sensações. Desperta minha imaginação, constrói em minha mente pinturas, o desenho, as impressões que virão a ser. Esses instantes, essas sensações através do desenho, da gravura, da pintura. A representação desse instante de Natureza através dos tons de cinza da gravura em metal, da xilogravura, da litografia, do emaranhado de linhas, sulcos. A transmissão desses instantes através destas técnicas. Talvez recriar esses instantes. Deixar o acaso, deixar a Natureza do acidental.



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